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quarta-feira, 21 de março de 2012

Sobre a imperfeição que é o amor.


" (...) mas acontece tipo assim: lembro do seu rosto, do seu abraço, do seu cheiro, do seu olhar, do seu beijo e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo, mas que só você, de algum modo, fosse capaz de ativar. Eu sei, é lindo. Mas logo em... seguida, quando penso em quão longe você está sinto-me despedaçar por inteira. Sabe a sensação de arrancar um doce de uma criança? Pois é, sou essa criança. E dói. Uma dor cujo único remédio é a sua presença. Então sigo assim, penso em você, sorrio, sofro e rezo, peço pra Deus cuidar da gente, amenizar essa dor e trazer logo a minha cura."
|Caio Fernando Abreu|


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- Estou indo.
- Tudo bem - eu disse meio seca, meio paralisada - Eu também estou indo.
- Boa sorte. Até qualquer dia!
       E nesse momento ele largou a minha mão. Tive vontade de dizer que iria sentir falta dele como sinto falta do pedaço de bolo de chocolate que minha mãe fazia quando eu era criança. Queria ter a coragem de pedir desculpas por não ter dado meu coração pra ele, mas que agora eu o recompensaria, que daria minha alma, meu coração, meu respirar, o pulsar de minhas veias para ter uma segunda chance com ele. Daria qualquer coisa, pagaria qualquer preço para ter de novo uma tarde de sábado com ele ouvindo "Nirvana". Queria ter lutado para tê-lo de novo apesar de ter mandado ele embora no meu ato de irracionalidade. Queria ter o abraçado pela última vez, o beijado pela última vez. 
      Meu coração bateu tão forte quando o vi caminhando em direção ao avião, que pensei que iria ter um ataque cardiáco, queria correr com toda a minha força e dizer a ele que não posso mais viver sem o sotaque arrastado dele sussurrando em meus ouvidos. Precisava lembrá-lo da vez que a gente dormiu abraçadinho e ele me disse que não me deixaria nunca, que ele prometeu que ia me proteger de todos os fantasmas do passado que insistir em tirar meu sono. 
      Não podia deixar ele ir embora. Mas eu deveria deixar. Ele só estava me dando aquilo que eu queria. Todas as fantasias de uma garota e a idéia de como era o amor perfeito. Mas, eu tive que me lembrar no momento em que o avião decolou: "tal perfeição não existe." O amor é para pessoas verdadeiras que abrem a mente e o coração. E talvez tenha sido esse meu problema, eu abri só a mente e esqueci de abrir meu coração. O amor é para aqueles que percebem que um relacionamento verdadeiro não é uma fantasia. 
        Só consegui sussurrar "Desculpas" por entre lágrimas quando percebi que o avião já tinha sumido no céu. E sei que ele escutou.



Eu te desapontei? 
Ou deixei um gosto ruim em sua boca?
Você age como quem nunca teve um amor,
E quer que eu continue sem nenhum.
|One - U2|

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ele era um anjo, e anjos não pertencem à Terra.

(...) tem horas que eu me perco sem você aqui, aí eu me lembro:
"Tá tão longe de mim."
 E aí meu coração grita: 
"Mas tá aqui dentro"

|Caio Fernando Abreu|


(...) mas acho que agora já devo saber o suficiente sobre as perdas
para perceber que nunca deixamos de sentir a falta das pessoas...
apenas aprendemos a conviver com o enorme buraco deixado pela ausência daqueles que perdemos.


Editora Intrínseca, 295 páginas, 200

sábado, 14 de janeiro de 2012

Overdose dele


(...) dentro de mim existe alguma coisa
que espera a sua volta, de repente.
 | Caio F. Abreu |





Às vezes sou tão dele que esqueço de ser minha. 
Outras vezes esqueço que ele foi embora e roubou meu "happy end".
Será que ele tem ideia de como é difícil continuar lutando todos os dias sem ele aqui?
Que a vida é uma droga sem ele?
O meu mundo era tão mais fácil sem ele aqui.
Os sentimentos ficavam organizado, como naquelas gavetas de arquivo sabe? Tudo direitinho, em ordem alfabética. Eu fazia parte dele, já sabia todas as suas regiões, onde cada sentimento estava e onde eu não deveria ir porque era a área de risco. Antes dele, eu fazia parte de um mundo planejado, organizado e perfeito.
E quando ele foi embora eu jurei que encontraria de novo aquele mundo. Mas, tentativas em vão.
Não posso mais fazer parte de um mundo onde ele não esteja.



Na playlist toca: Lana Del Rey - Video Game. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Desastre.



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"(...) e viveram felizes para sempre!" 
Que piada! Mal viveram, quiçá foram felizes. Estavam mais para desapontados. Não ele é claro, eu estava. Ele com certeza está agora transando com minha melhor amiga (corringo: ex-melhor amiga), e eu aqui, escrevendo só mais um texto sobre ele. Tentando ocupar o buraco que ele deixou, tentando pensar na campanha publicitária que eu deveria fazer, tentando não imaginar os "eu te amo" que ele está sussurrando nos ouvidos dela, do mesmo modo que dizia pra mim quando a gente fazia amor. E que amor. Tudo bem, somente uma masoquista como eu poderia amar tamanho narcisista, que consegue me torturar até mesmo quando não está presente. 
Está entendendo? Vou explicar direitinho: 
Ele: meu namorado. Talvez o melhor. Ela: se vestia, se comportava, falava e agia como um anjo, mas era o diabo disfarçado. Era minha amiga. 
Ele chegou certa madrugada ao meu apartamento e disse que estava disposto a fazer do "nosso conto de fadas" uma realidade. Se prometeu, por que não cumpriu? E olha, ele era realmente um príncipe com todas as letras e atributos, infelizmente só não previa que esse "para sempre" que prometeste não fosse durar tanto quanto costuma. Certo, sei que foi doloroso só pra uma das partes. E pergunto: depois disso como não odiar os contos de fadas? Eles levam ao desapontamento, ao sofrimento, a ilusão. Deixei meu coração em suas mãos, ele colocou na estante e fugiu com a princesa errada, deixando-me aqui cheias de buracos. Preciso dizer que eu o amei tanto, tanto, que nada que fizesse me faria o amar menos. Nem mesmo fugir com a princesa errada. E talvez seja esse o real problema do nosso relacionamento: o amar incondicionalmente. Eu o deixei partir com minha melhor amiga, porque o real significado do amor é isso: colocar as necessidades do outro acima das suas. E foi o que fiz. Antes de ir definitivamente, ele disse: 
 - Você tem um bom coração, dê a quem merece! Tenha paciência para esperar a pessoa certa. Ela terá um coração tão bom quanto o seu.
Ele não sabe é que a pessoa certa que estou esperando é ele. Esperando sua volta, certa de quem ele vai perceber que a princesa certa não está ao seu lado.

(...) de todos os desastres que eu podia 
eu escolhi você, 
eu não sei por quê.

sábado, 27 de agosto de 2011

[...] que acabou indo embora cedo demais.

"Bata as asas querido, e pouse onde seu coração esteja inundado pela paz."
Depois que te conheci, o verbo compartilhar adquiriu outro significado: "Se você não tiver coragem, eu te dou um pouquinho da minha". Você se foi e eu não tive a chance de me despedir. Senti uma dor incontrolável, e parecia que rios jorravam dos meus olhos. Mas, agora meu coração está calmo, e quando eu penso em você só sinto vontade de sorrir. Daria tudo para assistir só mais uma das suas aulas, e pedi a Deus pra que isso acontecesse, mas minhas súplicas falharam. E depois de ficar deprimida e desesperada, estou aceitando o fato de você estar longe, mas bem. Agora o que eu posso fazer é agradecer por todos os momentos que eu tive oportunidade de estar contigo. Você marcou a minha história.
De toda minha saudade de sempre,
A sua revolucionária, Laís.

Com saudade, eu escuto Renato Russo - Love In The Afternoon para te lembrar, sempre.

[...] Ele era um anjo, e anjos não pertencem à Terra.
Caio Fernando Abreu

sábado, 20 de agosto de 2011

Desatando o nó que você deixou.

E hoje, 01:21 da manhã, e eu escrevo de novo sobre você e esse sentimento que me dominou. Eu estou acabando com a nossa história, antes que ela termine de acabar comigo. Foi o que eu te disse naquela carta, lembra? Só estou cumprindo a minha palavra. Estava na hora de acreditar nos "vou-seguir-em-frente-eu-sou-forte" que sempre dizia na frente do espelho. Porque, no final de tudo, você não ia voltar, porque não era mais tempo de escrever pra você, e não fazia mais sentindo eu sentir tudo isso. Estranho, né? Se passou tanto tempo, e eu ainda estava aqui, te querendo como sempre quis. Mas, é como minha mãe diz: "Você passou todo esse tempo amando a projeção que ele deixou aqui". E talvez seja essa verdade mesmo, eu amava o que você criou e deixou aqui quando foi embora. E todas as noites, quando você tenta vim me assombrar, eu te destruo, eu acabo com você, eu te mato. Quantas vidas você tem, mesmo? Estou, a cada dia dando passos leves, e desatando o nó que me prendeu à você. E estou esperando o dia em que esse nó deixará de existir, e em seu lugar, passará a ter um laço. Te amo, só que agora no passado.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Nem tudo é como num conto de fadas.

Uma parte dela estava machucada. Uma parte dela - a mesma que acreditava que finais felizes duravam e que o amor podia triunfar sobre tudo no final das contas.
-
Ela foi até o fim, de Meg Cabot.
Editora Galera Record, 400 páginas, 2010.

domingo, 7 de agosto de 2011

Querido amor, não tão mais amor assim,

Já se passaram 2 anos e você ainda estava em mim. É, não queria te tirar da minha vida, e vivia no passado ainda. Mas, ontem foi a noite mais decisiva de 2011. Tomei a decisão de tirar de te mim, e tirar qualquer vestígio desse amor que ainda restou. Não foi fácil, e sem mais, senti uma dor agonizante durante toda a noite, e lágrimas são pouco para explicar o oceano que desaguava de meus olhos. Vi o dia nascer e a dor não saia, nem sei quando cai no sono. Mas, quando levantei, me veio a súbita vontade de te matar, não sei se é possível, contudo veio.
É, demorou 2 anos para ficar claro que você não existe mais aqui, e que não posso ficar vivendo em uma ilusão, porque você não voltar, porque não vou te perdoar pelo que fez. Nem me pergunte porque estou escrevendo essa carta, pois no momento não tenho a resposta. Só quero deixar você no passado de verdade, deixar você naquela noite em que a gente terminou só com o olhar e você seguiu a sua vida, mas deixou a minha parada. Hoje, dei o primeiro, estou te mandando embora, viu? E por favor, não volte, não me olhe, não me toque, não fale comigo, porque eu não quero ser sua amiga-colega, não quero imaginar você voltando pro meus braços e não quero pensar que você pode ter mudado, porque você não mudou. Eu sei disso. Essa carta é só a maneira formal de dizer que realmente acabou, porque agora eu quero o fim. Sem mais, eu não te desculpo por ter me machucado, por ter mentido, por ter me traindo, por ter sido uma pessoa tão ruim comigo que fui tão maravilhosa com você. E espero sinceramente que um dia eu te odeie menos ou que te perdoe.
Boa sorte, não te desejo felicidades.
Laís Pâmela.
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mas só restou a saudade.

Por favor, da próxima vez que for embora, se leve por inteiro. Estou cansada de abrigar tanta saudade.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Não se perca de mim.

E no súbito ato de inconsciência, eu o abracei, no meio da multidão que se formava ao nosso redor eu o abracei e disse:
- Você é meu melhor amigo e não estamos nos falando, mas saiba que eu te amo mesmo assim.
Talvez ele não tenha entendido nada, ou talvez tenha entendido tudo. Na verdade, só quero que ele entenda que ainda estou aqui para ser sua amiga.
"Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem que voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre ainda-não-é-hora e a-hora-chegou, muita gente se perde. Não se perca viu!'' - Caio Fernando Abreu.
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E as lembranças na minha mente ainda estão vivas. Você no pátio da escola com seu velho violão tocava as minhas músicas preferidas e eu fingia que cantava e nos ríamos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ei querido, dói viu?

Doe muito ter seu coração entregue na mão de uma pessoa e não receber nada em troca.
" Me pergunto se você pensa em mim como eu penso em você."

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lágrimas.

As lágrimas nos fortalecem. Segurá-las é o mesmo que pedir para parar o tempo.
A Marca de Uma Lágrima, de Pedro Bandeira.
Editora: Moderna, 176 páginas, 1985.

sábado, 7 de maio de 2011

Despedaçando aos poucos.

"Eu estava proibida de lembrar, mas com medo de esquecer. Afinal, de quantas maneiras um coração pode ser destroçado e ainda continuar batendo? Nos últimos dias, eu tinha passado por muitas experiências que poderiam ter acabado comigo, mas isso não me deixou mais forte. Ao contrário, eu me sentia horrivelmente frágil, como se uma unica palavra pudesse me despedaçar." - New Moon, Stephenie Meyer

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Em teoria...

Tenho uma teoria: as mulheres, às vezes, são realmente burras. (Ou se fazem!)
É verdade. Imagine, você tem alguém que te machuca muito, que faz seu coração doer a cada batida, mas quando pensamos em abandoná-la ou esquecê-lá parece que sofremos muito mais. Desse jeito meu coração ficará mais confuso do que o natural, mais surrado.

sábado, 16 de abril de 2011

Did I ask too much, more than a lot? *

Ao som de: One - U2

Sabe, faz dois meses que a gente não se fala, perdi a noção do tempo que a gente não se vê. Tento ficar sossegada com meu coração, não há o que esclarecer, só que teus silêncios me ferem tanto, me dilaceram tanto. Me pergunto: 'O que aconteceu com a gente?' Já sei o que vai me dizer, você é muito inexplicável, é você tem razão, eu não sou compreensível. Mas, poderia te acalmar com um braço, porém gostar geralmente é assim né? Não é sempre fácil. Só queria ser boa o suficiente para ser vista com você. É tão difícil não falar meus medos e anseios com você, sinto tanta sua falta, que doe. Meus dias são tão nublados e tempestuosos sem você, não vejo o brilho do sol há tanto tempo, parece que você levou consigo as cores do meu mundo.
Apaixonar-se por alguém é tão complicado ou é simples? Ou melhor nós que pioramos tudo? Acho que eu só pioro. Pra você é complicado, foi o que me disse uma vez, seu coração é tão fechado. Eu juro, durante todo esse tempo eu tentei me desligar de você e tentei te esquecer, apagar essa chama mas, quando tudo é realmente especial é muito mais difícil de partir, mais difícil desligar-se, mas difícil esquecer.
Lembra você uma vez me perguntou o que as garotas realmente querem, e eu fiquei sem saber a resposta. Mas, hoje eu sei. As garotas apenas querem alguém que as almeje de volta, é pelo menos eu quero. Eu apenas te queria. Eu apenas te dei meu coração, e quis ter você, e eu te pergunto: “Será que não era hora de acabar com essa amizade com bônus?”. É a hora de acabar, porque eu não agüentava mais.
Eu sei que fui eu que te mandei embora, saiba que foi a pior coisa que eu fiz, mas eu tive que fazer. Eu sinto tanta falta da sua voz, do seu toque, das suas palavras, de você. Eu tenho medo de não lembrar mais do seu rosto, do seu beijo, tenho medo das lembranças se perderem na imensidão que é a nossa vida.
Sabe, às vezes damos nossos corações a quem nem se importa com a gente. Eu te dei meu coração, é isso que eu posso te dar, e se isso não é o satisfatório para você, me desculpe, então eu não sou suficiente para você.
Eu sinto muito, mas eu poderia te abraçar o resto de minha vida, e ainda assim para você não seria suficiente. É, não sou uma alma perdida que deixou de acreditar na imensidão do amor, não eu não sou. O amor é algo ótimo, esplêndido, o ar da nossa vida, talvez o melhor de tudo, mas tem que valer a pena para nós dois, e no momento só está valendo para mim, então sinto muito, eu me apaixonei e em algum momento você esqueceu-se de me corresponder, ou esqueceu de me deixar adentrar seu coração.
*Retirado da música: One - U2.

sábado, 26 de março de 2011

Tão humano quanto eu.

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Não volta! Eu consegui encontrar a felicidade sem você. E pela primeira vez hoje acordei sem uma unica gotícula de lágrima em meu travesseiro. Não tive pesadelos a noite, e consegui sorrir ao te ver. Talvez me causaste tanto mal, que agora nada mais vindo de você me importa. Decidi eu quero seguir minha vida. Não me fale que não consigo sem você, porque eu consigo, eu apenas não queria. Talvez tenha acabado. Depois te tanto quer uma pessoa, amanheci hoje querendo ser feliz, sentindo falta de um sorriso, e tento a mais nítida certeza de que você não se importa. Só hoje me deixe ser feliz, e se amanhã eu tiver uma recaída terei meus amigos para me dar forças pra continuar. Chega! Estou farta de você, das suas inúteis palavras, de seu silêncio torturante, de seu jeito arrogante de me tratar. Eu acordei, e sou humana, de carne e osso, e mereço um amor que faça sorrir antes de dormir, me acorde com beijos, eu mereço um amor que me leve para passear, e cumpra as promessas que me faz. Eu só quero um amor tão humano quanto eu.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Parte VII - Amamos uma alma.

Para ler ao som de: The Script - Talk you down

No hospital Maysa foi até a sala de fisioterapia, se inicia mais uma batalha. Fez tudo o que a médica mandou, tentou fazer com que seu braço logo melhorasse. No final da seção teve a súbita vontade de conhecer a área de câncer do hospital, mas precisamente a área com crianças e adolescentes portadores de câncer. Era de se esperar tamanha emoção ao andar pelos corredores do hospital. As lembranças dos piores dias de sua vida percorriam-lhe a mente, por um momento sentiu sua mãe por perto, sentiu seu cheiro. Quando entrou na ala das crianças/adolescentes portadores de câncer a emoção tomou conta de seu coração.

Andando pela área conheceu Gabriel, um adolescente de 17 anos, perdidamente apaixonado por Giovana. Maysa conversou muito com ele, tinham coisas em comum e escutar a sua historia a fez refletir muito sobre o significado da vida. Gabriel e Giovana se conheceram dentro do hospital, há cerca de um ano, e a partir de então passaram a viverem muito próximos um do outro, puderam crescer juntos e gozar de momentos alegres naquele ambiente triste. Gabriel mostrou-se muito maduro para tão pouca idade, nunca perdera a esperança de poder sair dali com seu amor, para que assim pudessem viver tantos outros momentos de felicidade plena. Provou a Maysa que o primeiro amor a gente nunca esquece. E ainda que vivessem dentro do hospital e tivessem todos os motivos para ficarem tristes, eles conseguiam rir na maioria do tempo, procuravam sempre ajudar um ao outro. Maysa, escutando tudo, emocionou-se muito ao ouvir a história de amor deles, que era contada com muito entusiasmo.

- “Pensava que não ia me apaixonar, temia morrer sem saber o que é amor. Mas isso mudou quando conheci Giovana. Surgiu então um amor puro, que ninguém sabe a força que tem. O que mais ela temia era perder os cabelos, tinha medo de ficar feia, mas pra mim ela nunca ficaria. Certa vez pude ir visitar minha família em casa, passei um fim de semana todo no sítio de meus avôs, no interior, a saudade apertou nesses dias. Comunicávamos-nos por email, e torpedos no celular, mas nada comparável a estar perto dela. No domingo, recebi um email dela, dizendo que estava muito triste, e que não queria mais me ver. Não entendi o porquê, nunca havia acontecido isso. Decidi voltar o mais rápido possível para o hospital. E quando cheguei descobri que ela havia mudado de quarto, não estava mais ao lado do meu. A procurei pelo hospital todo e quando a encontrei entendi o que estava acontecendo. Giovana teve que raspar a cabeça. Perder o seu cabelo foi à pior fase para ela, sabia que isso poderia acontecer, e que ela não ia me querer por perto. Só não imaginei que fosse tão rápido. Desejei estar perto dela, mas ela havia pedido para não me deixarem entrar no quarto. Foi quando me perdi em prantos, e voltei para meu quarto. Se havia, em todo esse tempo, conseguido seguir em frente, e continuar a luta contra essa doença, foi graças a Giovana. Juntos somos o sorriso. O conforto e o todo. Somos o abraço, o ombro, a mão estendida e o carinho. Parecidos e opostos, rimos, gargalhamos e falamos. Fofocamos, choramos, dormimos e nos aconchegamos. Nosso amor substitui a dor, pois é puro e infinito. Resolvi então, mandar a ela uma rosa, com um cartão, pedindo para que me recebesse, e ela aceitou. Foi quando se escondeu, porque estava sem cabelo, e eu disse que não a amo somente fisicamente, e sim espiritualmente, pois não amamos um corpo e sim uma alma.”

Escutando tamanha declaração de amor, Maysa não pode conter as lagrimas, seu coração parece que sofria a cada palavra dita por Gabriel, que vivia com câncer há dois anos. Ele conheceu Giovana quando ela também teve que se internar e por mera coincidência do destino o seu quarto era ao lado do dele, o que fez com que os dias se aproximassem muito, num puro gesto de amizade, que se tornou amor. Sempre que Giovana temia morrer, Gabriel estava pronto para aconchegá-la, sempre deixando claro que a morte não o fim.

(...)

Pedro viajava nas palavras de Machado de Assis, seu escritor preferido. Tentava imaginar se algum dia iria reencontrar a menina dos olhos de ressaca, mas o que ele não sabia que era impossível Maysa sair de seus caminhos, pois ninguém altera o seu destino. Pensava nela como um fluido misterioso e energético, e um tanto charmoso. Maysa era sua Capitu, descrita em uma clássico, dispensando todas as virgulas e pontos. Era única.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Parte V - Os dois lados da vida

Para ler ao som: Fotos na estante - Skank

A dor da perda de sua mãe nunca iria se cicatrizar carregaria consigo essa marca eternamente. O que Maysa não imaginou foi que perderia também seu pai, mas de forma mais trágica, pois perdeu um pai que ainda continua vivo e esqueceu que tem uma filha.

Chegou à casa sozinha, ainda com a imagem dos olhos do rapaz que desceu do táxi, seus pensamentos estavam soltos. Entrou em casa e sentiu um ar pesado, foi quando deu por si e viu que nem em casa seu pai estava, ele se esquecera totalmente de buscar-lhe no hospital. Talvez sua vida não pudesse pior mais. No fundo do seu coração queria voltar ao hospital e descobrir quem era aquele rapaz, que ainda com aparência cansada tinha em seus olhos uma alegria indestrutível. Sentiu inveja dele. Subiu para o seu quarto, que no momento era o seu paraíso, sentou na cama e viajou em pensamentos. Se fez várias perguntas, das mais simples as mais complexas, umas tinham respostas, outras não. O momento em que Maysa precisa fazer seu auto-conhecimento, parar de pensar como a menina que perdeu a mãe, para pensar como uma mulher que superou um sofrimento. E quando decidi tomar banho, seu pai bate na porta e entra no quarto:

- Oi filha? Como está? Desculpe, eu iri... – procurava as melhores palavras para justificar tamanha ausência. Mas, Maysa nem deu o trabalho de escutar.

- Não precisa procurar nenhuma explicação, nem desculpas. Negócios são negócios não? – o rancor era explicito em sua voz.

- Maysa, por favor, não é isso. É porque aconteceu.. – Raul se sentou ao lado da filha, tentou uma leve aproximação, mas o estado agressivo de Maysa não permitiu, ela se levantou e abriu a porta no quarto, sem meias palavras disse:

- Ok, não quero explicações. Contra fatos não existe argumentos! Por favor, saia e me deixe sozinha.

Sem insistir muito Raul saiu. Olhou mais uma vez para sua única filha parada na porta do quarto, tentou lhe dar um beijo na testa, mas foi rejeitado. Não olhou para seu pai, mas amargamente disse:

- Quando você vai entender? Quando vai superar a morte da mamãe? Posso pedir o seu amor de volta? Aquele que não é preenchido com distância, nem por meios de negócios?

Não ficara mais um segundo ali, Raul saiu, se sentindo destruído, mas entendendo o que sua filha tava passando.

(...)

Pedro estava a enfrentar mais uma longa semana no hospital. Aquele ambiente já estava impregnado em sua pele, já fazia parte dele. Depois que descobriu sua doença passou a construir outra vida, se tornou outra pessoa. Tentava ao máximo aproveitar cada segundo que a vida lhe dava, não perder nem um minuto triste, pois agora entendi quão preciosa é a vida. Viver cada dia como se fosse o último. Viveu tão pouco, acabara de completar 24 anos, garoto dedicado, sempre procurou ter um futuro brilhante, e quando estava conquistando isso, descobriu o seu câncer. Tinha acabado de ganhar uma bolsa de estudos na Holanda, em Artes, mas perdeu, o câncer o tinha tirado todos os seus mais lindos sonhos. Era um pintor, um escritor, um poeta, um músico, um romântico, um amante, um errante, um humano. Acreditava na possibilidade de viver um grande amor. Mas, vendo seu estado de saúde percebeu que perdeu tempo demais.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Parte III - Chuva e lágrimas

Para ler ao som de: James Blunt - Tears and Rain

Há anos atrás tudo que deseja era que a noite caísse, para que assim sua mãe lesse suas melhores histórias. As histórias que ela mesma escrevia para sua pequenina. Todos os dias uma nova história surgia, fazendo Maysa ansiar pela hora de dormir, pois era momento em que se transportava com sua mãe para um mundo mágico. Mas, depois da morte dela, odiava a noite, e pedia todos os dias que o sol não fosse embora. Era o pior momento do dia, era a ocasião em que sentia muita falta de sua mãe, necessitava muito da sua mãe afagando seus cabelos.

Sua mãe morrera de câncer. Morreu. Câncer. Dor. Falta.

Maysa não suportava lembrar os últimos momentos que teve com sua mãe, se sentia uma total impotente, tentando do todos os modos tornar a dor de sua progenitora em sua própria dor. Tentava entender como a vida lhe tirou aquilo que mais amava sem nem pedir permissão. Era como não respirar há cinco longos e deprimentes anos, não sonhava, não amava e não sentia seu coração bater de um jeito meigo.

Num súbito gesto, foi rude em não deixar que as lembranças lhe matasse aos poucos, levantou e sem nem ao menos colocar um calça, pegou as chaves do carro e saiu. Não podia deixar a sua cabeça estacionada, não queria deixar-se matar aos poucos. Já era tarde, a leve garoa que surgiu junto com a noite transformou-se em torrentes de chuvas. Maysa achou que dar uma volta no bairro não lhe faria mal algum, precisa respirar.

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Chora muito, e junto com as lágrimas vêm às lembranças ecoando em sua memória: seu aniversário de 15 anos, seu primeiro beijo, sua primeira menstruação, sua aprovação no vestibular, todos os momentos que mais precisava de sua mãe, ela não pode estar, são momentos que foram importantes e que sua mãe não estava. Sentiu uma pontada forte no peito ao pensar que haveria tantos outros momentos que viriam e sua mãe não estaria em físico, talvez em alma. Tornou-se tão dura, fria durante esses anos, era menina, a mesma delicada menina que sua mãe deixou na manhã de sua morte.

- Tantas coisas que queria te contar mamãe, esses anos que tentei viver sem você foram torturantes. Volta pra mim, por favor! – Maysa começa a gritar, dirigindo cada vez mais rápido.

E num repente momento tudo ficou branco e frio...

continua...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Parte II – A (ir)racionalidade da perda

19 anos. Estudante de pedagogia. Saudável. Bonita. Inteligente. Rica. Maysa é a garota dos sonhos, de maneira simples causa inveja em todas as suas amigas, que admiram suas feições são delicadas e perfeitas. Pode ter tudo que deseja, todos os “amigos”, usar as melhores grifes, conhecer todos os lugares e transar com todos os rapazes. Mas, ela nunca mais se sentiu completa depois do que aconteceu. Ela se definia como 50%, metade. Seu maior desejo era sentir seu coração ferver de novo, mas, ela era tipicamente uma tábua rasa, que precisava ser preenchida com amor, carinho e calor.

Depois que sua mãe morreu de câncer, há cinco anos, sua vida se tornou uma tela árida cinzenta. Seu pai mal ficava em casa, sempre usava a desculpa do trabalho, não saia com amigos, não arrumava uma namorada, sua vida estava totalmente sem sentido. Maysa até desconfia se durante todo esse tempo ele teve alguma relação intima, mesmo que rápida. Ela sabia que seu velho estava sofrendo, porque sofria também.

Sem amigos, Maysa se sentia sozinha, definia as suas companhias como pessoas. Ela possuía pessoas e não amigos. Sua casa quase sempre ficava vazia, os sons que ouvia era da solidão e da saudade, que constantemente conversa com ela. Ela tinha certeza que sua vida não podia piorar, nem a morte seria tão ruim quanto o que ela está passando. Ela se enganou quanto à situação de sua vida, as condições iriam se tornar cada vez piores. Tudo havia de mudar na vida de Maysa.

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Sem perceber, a noite cai como luva, uma leva garoa começa a surgir, molhando a vidraça da sua janela. Passou o dia na mesma posição que acordou, sentada olhando o outono passar. Não conseguir saber se estava respirando regularmente, se seu coração estava batendo, só queria mudar toda aquela situação.
continua...